quinta-feira, 28 de junho de 2012

Oculto

Sou aquela pequena folha,
escrita e rasgada
levada pelo vento
molhada por orvalho.

Sou aquelas palavras
escritas sem nexo
ocultas pelo abismo.
 aquelas palavras erradas
que ninguém quer ler,
esquecidas...
desfeitas pelas gotas.

Sou aquela folha que o lixo despreza,
o vento rasga
a solidão não quer.
Sou aquela folha rasgada,
desfeita aos pedaços
comida pelo peixe

Sou aquela folha sem era nem berra,
Porque sinto-me em casa no meio do nada.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Aquela fêmea mulher


Jeito mimada,
Jeitosa e destemida,
Olhos de águia, corpo de pêra.
Mexia tão bem aquela fêmea.
Cheia de luxuria,
a loucura enfeitiçava-a a cada gesto,
Corpo ao vento, enchia meus olhos,
Cheiro a Diesel, flutuava pelo meu nariz.
Aquela mimada e jeitosa criatura,
o embriaguez da sensualidade consumia meu ser,
De sangue ausente nas veias,
Coração salpicado,
Olhos reluzidos,
Deitei-a no meu leito.
Imóvel no leito, percorri cada canto da sua fortaleza.
A quentura feminina hipnotizava-me a cada toque.
No som do nosso respirar beijei-a.
Aqueles lábios sedosos e quentes,
comi-a cada milímetro do seu gosto.
No seu sussurrar, gritava paixão,
a indecisão do desejo atormenta-me.
Naquela manhã de ternura ejaculamos ao som dos nossos suspiros.

palavras silenciosas


Nos beijos matinais
queria ser normal como qualquer um.
É um dos meus maiores desejos.
As lâminas das minhas facas já estão gastas
de tantas facadas nas águas.
Como achar estranho alguém ter medo de mim,
se até de mim tenho medo?
Sinto-me no sopro de uma flauta.
Como um hiato do meu próprio ser,
ou simplesmente uma nesga do meu destino.
Já não me é estranho alguém achar me anormal,
Se constroem várias imagens controversas de mim.
Não tenho culpa.
Não sei até que ponto posso justificar o imensurável,
nem apostar nas apologias individuais.
A filosofia desenfreada pessoal,
difere da lógica absoluta.
Mas pronto!, o justificado aposta no conhecimento absoluto.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Aos três em nome da transa

De boca entre a sua vulva,
comia a sua catota de mansinho,
chupava-a ao som do seu gemido.
De mansinho sugava o gosto do seu clítoris,
enquanto o faminto negrão comia-me o rabo.
De língua aguçada subia e descia,
entrava e saía do meu teso ânus.
Num rolar e rebolar a posição mudou-se.
Sentada sob meus lábios,
de língua como pénis,
metia-a boceta adentro.
Gemia e rebolava sob meus lábios,
enquanto beijava o machão negro,
que matava-me a catota com o seu magarrofe.
Numa noite de feriado estávamos os três em nome da transa.  

segunda-feira, 4 de junho de 2012

aos bacos

quando a solidão invade, o vinho acomoda
entre as magoas e os sonhos derrotados, o vinho acomoda
entre a esperança e o desespero, o vinho consola
entre o querer e o rejeitar, o vinho consola
entre o não importa e o importar, o vinho acolhe
entre um adeus e um goodbay, o vinho acompanha
entre o querer e medo de querer, o vinho acompanha
entre o medo de querer e não posso ficar, o vinho acompanha
entre o medo de perder e quero ficar mas não posso, o vinho fica
entre a puta que pariu dos covardes e os covardes fanfarrões, o vinho sempre vence

que se foda os fingidos caralhos,
ainda bem que os dedos conhecem as teclas....

sábado, 2 de junho de 2012

O GOSTO

Luz apagada,
costas contra o chão,
pernas abertas,
entre o suor das ancas
o fôlego fulminante do seu bafo.

Entre os lábios da vulva,
chupava ferozmente o clítoris.
De língua como pénis,
metia vagina adentro.
O delírio dos gemidos daquela puta,
estremecia a escuridão.

Numa noite em que a vida
tornou-se o sexo,
no chupar do grelo,
e no meter da língua,
originou-se num fluído viciante.