domingo, 28 de dezembro de 2014

LB

Ensopada... a língua entra não penetra 
sai e fica à porta

O terreno invadido está imóvel
o sedoso inimigo funda e chove meteoros

O arrepio vendou os olhos
ao choque os lábios masturbam-se

A língua desprende perde os sentidos
é chupada pelo inferno tubo do bode

A chuva que rola em véu
é tragada pelo manto húmido 
que lambe e chupa o que de fora escorre

O beijo é o ponto final

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Entrega-me a ti

Empresta-me teu ouvido
preciso suspirar as gotas do desejo
que a tua aura ejaculou em mim

Entrega-me o teu todo
                                 Não falharei
Cuidarei com a mesma sede 
que teus toques beijaram-me a pele

Entrega-me o todo 
que tua presença o horto molha.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

VI

Queria poder saber amar uma pessoa
que não é nem homem nem mulher
que poderia responder-me aos momentos de ser homem
e corresponder-me às loucas noites de ser mulher

Queria poder terminar a vida com a sabedoria de que amei
aquela que o passado condenou-me o corpo

Instalei-me no agora
igualando os segundos aos passos, 
Urdo o presente sem amar
com as rédeas do passado aos ombros