terça-feira, 27 de março de 2012

Dança I

Tresanda seu rabo ao vento quando passa

Era assim que rebolava aquela bruxa morena

Corpo de violão,

cor de chocolate,

cabelo de esfregão.

Rabo duro e sedutora,

mexia e provocava,

aquele chulo negro,

lindo de ovos moles e pénis duro.

Era aquela safada, mimada e gostosa mulata,

Paciência teve Deus quando a fez,

Furiosa esteve o Diabo quando implantou nela os desejos carnívoros.

Era assim o movimento daquela mulata linda de olhos de gata, espírito de vaca.

Hipnotizada, dançava e dava a sua bridja para aquele negro carvão.

Era assim que dançava aquela negra maluca.

domingo, 25 de março de 2012

dançar


É desse jeito que ele a apertava,
Suave e doloroso.
Como uma ninfa,
Olhos de coruja,
Jeito de serpente.
Ela movia calmamente
entre as suas mãos,
 Pés nas nuvens,
Olhos nos céus,
Coxas entre os dedos,
Ela rebolava calma e suave.
Movia e dava ao vento as nádegas.
Seu corpo transpirava luxúria.
Entre as suas coxas transladava sexo,
Puro e quente.
Balançava ferozmente os seus peitos.
Esqueceu-se do mundo,
Entregou-se ao inferno a sua fúria.
Era o jeito como ela dançava.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Despida e nua
lambia a escuridão da noite
hipnotizada pela sensualidade
cega entrega-se à calma brisa
Exibicionista e determinada
de tesão penetrando a carne
a lua comia-a com o seu sorriso assassino

Rasgando a noite com o seu gemido
no surdez do desejo
ejaculou no grito da madrugada

segunda-feira, 5 de março de 2012

FALO



De pouca beleza, machão diz que é.
Como gelatina estremece e não anda.
 
Vadios e embriagados, meus dedos o desafia
Viajando pelo universo inconsciente,
                                 mole não desperta.

O puder dos suspiros, lhe arrepia
A poderosa língua passa de fino a sua análise

Sobe, desce,
Desce e rodeia
Puxa-o pela boca a dentro

Quente e suculenta
Sufoca-lhe de prazer

No universo de chupar e lamber
No entrar e sair
os minutos tornam-se segundos

Num paraíso de loucura
Os dedos juntam-se à boca
 numa luta assassina de prazer

Duro e inconsciente o falo
 chora o leite da derrota/vitória

Suave desce pela garganta
 o sabor acre-doce do leite

Gulosa e generosa
 a boca divide com os lábios o leite
que é acariciado pela língua na barbela.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011


Nta kria pa bó era kasaku
Pa mi era boton
Pa bu raganha
Pam entra na bó
Pa nu taka na kumpanhero
K nem deluviu ka ta conseguiba podriseba nos

Mas infelismenti
bo é bó
mi é mi
Dos sentimentos
Dos padas di alguém
K forma um

Dos padas de alguém
Longe tão longe
K láguas ta forma na bu odju
Ta corri na nha rosto

Dos padas di alguém
Longe tão longe
Ki bu corpo ta sua
Ta pinga purfumo na di meu

Um purfumo
K ka rosa, ka jasmim, 
Ka lírio, ka tulipa, ka kanela
Um purfumo mas puro k agu na rubera
Sem txero, sem gosto
Um purfumo k é mi ku bo…

terça-feira, 29 de novembro de 2011


hoje acordei do teu lado no meu sonho
tive a oportunidade de beijar teus manhosos lábios
num sono profundo

tive a oportunidade de observar o teu sorriso maroto
quando os meus lábios tocara aos teus
estavas a sonhar ou á espera?

Fiquei sem saber… porque acabei por acordar.

MULHER


Corpo de violão, todos dizem


Concordo ou tenho que concordar?
Não sei, talvez!

Mas ela flutua no seu andar
Rebola no seu falar
Esbanja sedução ao deitar

Farta de desejos contra o peito
Num jeito jeitoso serve o que de melhor tem
A o que de melhor sabe provar

Ela é o que o mar rejeita, ajeita e respeita
Ela é o que os ventos sopram e seduz
Ela é o que o mundo condena, ama e quer

Num piscar de olhos conquista
Num mover dos cabelos faz-se amar
Num aceno convida
Num sorriso acolhe

Ela é o que me detesta e me quer
Ela é o que ajeita o fora baralho
Ela é o que geme quando quer
Suspira quando gosta
Grita quando adora

Ela é aquela que vestida de sensualidade despe a sedução
 ao encanto daquele que sabe o que é uma obra de arte

ela é aquela que é a MULHER



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

NOITE QUENTE


a tarde que se foi
foi um orgasmo perdido

o fluido daquele sol
que envergonhado desapareceu
era um tesão sumido

o gemido de uma noite a apontar
era um sonho a renascer

a lua despiu-se de esperança
eu vesti-me de solidão

naquela noite tesa de solidão
dormi sob o ejacular do meu sonhar

quinta-feira, 23 de junho de 2011

teson dexadu

É txiga é ka flan nada
É ka ri é ka papaia
Ami xintadu ta spera um oi

É labanta é djobem
É da um passo um passo
ti ki é txiga na mi

é dam na parede n´gemi
canto n’ta xinte djé lapiba na mi ta namuram
Sima n’tinha sodade del é namuram n’namural

N’xinte si mó ta subim na brasu
Di ripenti riba´l nha mama ta corri
Perna tremem rabadidja comesa ta dan latxi

É dixi ku boka na nha piskos é mordi ui ui ui
É abrim perna dixim kalsinha
Metem dedu na bakalhau ai ai aia mmmmm

N’deseja pa tempo pára
Pa horas disaparesi
Pa mundo kaba pa nu fica nos três mi kol ku teson

Mas di ripenti é poi boka na nha obidu é flam
“Hoxi ti si kim sata dau n’tem k bai”
Perna treme rabadidja puxa boka
É tram dedu di bridja é txupa ui

N’bai pam papaia é pom mó na boka é fla
“Hoxi nka kré obi num palavra di bu boka
Apenas nkré bai ku gosto di bu cabadura na nha boka”

quinta-feira, 24 de março de 2011



Ao meio da noite pelo telefone
Fala-me da ansiedade do seu Falos
Que despertou ferozmente de um sonho enlouquecido
Transpirando suor de desejos
Faço de despercebida
Mas o aljôfar da minha Vulva denúncia me pela sua ansiedade

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Saudade do meu amado


Porque demoras tanto, querido?
A minha alma está desassossegada
Já não aguento mais essa ausência
O meu corpo reclama pelo teu calor
Sobre o meu corpo derramam lágrimas de desejo.

- Não te desesperes, querida
O teu fôlego denúncia o desejo que entranha a tua carne
A minha ausência... ela carrega a culpa do teu desassossego

- Não demores, que a minha ansiedade é enorme
A minha paciência já é pouca
Esperei... cansei-me... o esperar é o que mais me assusta

- Já não vou mais demorar
Aguente e me espere
Feche os olhos e respire fundo
Toque de mansinho no teu corpo
Toca o teu corpo de alto a baixo
Toca nas tuas entranhas... nas tuas profundezas
Toca no interior do teu ser... na tua carne viva tesuda
Deixe que eu sinta o fôlego do teu tesão

- ai ai ai! - como dói a tua ausência, querido
Não me deixe limitada ao meu toque
A punheta é boa, mas teu gosto é bem melhor

- Vá lá, querida! Toque e deixe-me sentir teu fôlego
Acaricie os teus seios... os teus mamilos duros... duros e tesos...
tesos de tanto prazer...
Desce e toque as tuas entranhas
Deixe-te ejacular nas tuas mãos
Quero chegar e chupar os teus dedos.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Querido



Despe a túnica do prazer, querido
Bebe o leite do meu sexo
Vê como implora tua sedutora boca 

Num fogoso e sussurrante beijo,
 devora com a tua ansiosa língua
a delicia que sou

Deixe deslizar suavemente pela tua intimidade adentro
Sente como delira teu desejo pelo meu sexo
Não se deixe ficar vestida pelo prazer, querido
Vem e devora o que sou. 

terça-feira, 1 de junho de 2010

Quem é ele?

Quem é ele?
Que flutua na beleza
Desliza no andar
Traumatiza o meu ser
Afoga-me de teson (tesão)
Desperta a mulher que há em mim

Quem é ele?
Quando passa no relento
Acende os rios
Acalma os mares
Esfria o fogo e acende a chama em mim

Quem é ele??

Beijo na parede


Passei horas à sua espera
No horizonte apareceu a sua silhueta
Num passo da luz chegou até mim

Cansado de fôlegos acelerado
Sem dizer nada
Pôs-me na parede
Beijou-me intensamente
Que me fez perder o fôlego

Rasgou-me a blusa
Mordeu-me o pescoço
Tocou-me os seios
Delirei-me

Cada vez que me apertava queria mais

Imóvel de escassos suspiros
Não consegui mexer
Do meu intimo apenas sentia um gemido
Gemido quente
Gemido de prazer
Gemido de desejo
Gemido de querer mais e mais.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009




corpos nus

vestidos de desejos

entregue ao prazer sem fim

nas noites onde nós nos amamos...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Prazer



Beija-me de mansinho
Roça teus lábios nos meus 
Quero senti-los

Passe de mansinho tua língua gostosa nos meus
Suspira de mansinho nos meus ouvidos
Quero sentir teus sussurros 

Beija cada milímetro do meu corpo
Saboreia bem 
Faz me sentir especial nos teus beijos

Beija-me
Chupa-me
Penetre-me
Faz me sentir-te


Ama me como se fosse primeira vez.

Me dá sentidos





Agarra me
Machuca me
Leva-me contigo

larga me
No além do teu sentimento
Deixa-me navegar em ti

Deixa me encontrar sentidos 
nos teus abraços
dá me razão desse calor

quero sentir aquela sensação
de ser especial
de ser toda tua

quero sentir te em mim

sábado, 19 de setembro de 2009

Meu primeiro livro de poesia


DESEJO é meu primeiro livro de poesia, lançado a 22 de Agosto no Centro Cultural Norberto Tavares em Santa Catarina. 
                                                                   
                           Prefácio
       Desejar da Poesia a Carne do Ser da Existência
"Nas poéticas de Artemisa Ferreira, encontramos um turbilhão de desejos, que acabam por enformar um conflito de sentimentos. Entre a tristeza e a alegria, encontramos o desejo de amar. Entre as certezas e as incertezas, encontramos o desejo de lutar. Entre a distância e a presença, encontramos o desejo de partir. Entre lá e cá, mora a saudade. Um sentimento que ultrapassa o simples desejo de estar com alguém ou em lugar algum, querendo, antes de mais, ser alguém ou de algum lugar. Ser no sentido de mesclar o eu com o outro para conseguir um nós; o Barlavento e o Sotavento para ter Cabo Verde; a distância e a saudade para ter a presença ausente; o país e a diáspora para ter o mundo; a existência e coexistência para ter a sociedade; a palavra e a credibilidade para ter a confiança; o eu e o ego para ter o ser; o desejo e o Verbo para ter a poetisa. Nos poemas de Artemisa Ferreira, encontramos uma louca manifestação de amor. Um amor incondicional por um país que a viu nascer; um amor pela vida; um amor ao próximo; um amor pela carne, que se traduz no seu próprio desejo. 

Da vontade de partir para correr atrás de um sonho, encontramos dez ilhas, com duas mãos. Todos unidos pelo mesmo laço: unidos pelas duas mãos que fazem do cabo-verdiano um homem trabalhador. Poeticamente, Artemisa Ferreira constrói o percurso de um cabo-verdiano em movimento constante: um ser que anda de ilhas em ilhas. Chegando à diáspora, quer construir a sua própria ilha porque, na ilha nasceu, ali cresceu e na ilha quer viver. Um povo que vive com o mar: o mar que dá o sustento da família; o mar que indica o caminho da partida; o mar que simboliza a saudade; o mar que impede que se parta; um mar de contradições. Dá peixe para alimentar o corpo, mas, possibilitando a partida, deixa saudade para atormentar a alma. Proporciona belos momentos de lazer pelas praias ao sabor de frescas águas de coco, mas também oferece cenários de dúvidas e medo, querendo saber se a partida se reencontrará num regresso. Por isso, os poemas de Artemisa Ferreira procuram captar estes contrastes do mar e do mundo em que a alma e o corpo lutam para definir uma forma de existência.
 
Na vida e no amor, da guerra entre a alma e o corpo, Artemisa Ferreira existe. O corpo se estremece num suspiro ofegante, entre dentadas no pescoço e fôlegos sufocantes. A alma suspira... não de alívios, mas de tensão. Não estando o corpo parado, a alma acompanha-o nas suas loucuras.
Na sua existência poética, Artemisa Ferreira começa a sentir que os lábios se tocam; sem pedir licença, os seus beijos são roubados; num ímpeto e sem perdão, o seu sexo é invadido; sem piedade, apodera-se do seu corpo, do seu ego, da sua alma, do seu ser. Mas, não cai num abismo. Cai, sim, num desejo profundo, que invade uma escuridão do fim do mundo para tornar húmida a noite, como as paredes do quarto.
 
Corpos estendidos em cima da cama, somando o calor e o desejo. De secos a molhados, uma batalha entre os corpos. Para além da húmida noite rasgada, os corpos sentem a necessidade de ensaiar uma dança. Ele insaciável e ela ofegante, ouve-se gemidos, sente-se desejos. Gemidos que se estendem pelo horizonte... porque são de fúria... e de paixão. Ardente.
Provocante. Uma paixão que nasceu de um olhar captado pelos olhos de lírios. O seu coração, o vento colocou no peito dele. O seu corpo, aos braços dele. O seu grito, aos ouvidos dele. E assim, Artemisa Ferreira constrói o seu DESEJO."

Silvino Lopes Évora
Investigador na Universidade do Minho

sábado, 11 de julho de 2009

Me salva


Leva o vento meu pensamento
De mansinho
Nesse horizonte

Leva-me ao teu encontro
Onde nas tuas mãos entrego-me
Deixo-me levar pelo sentimento

No meu desespero
O quero
No meu pensar
Te chamo

Deixe teus lábios me beijarem
Teus beijos me libertam
Me abraça e me salva

Entrega me teu ombro
Ele carrega meu conforto


quinta-feira, 4 de junho de 2009

Meu desejo


Leva o vento meus cabelos
Leva no teu coração meu amor
Leva nos teus braços meu corpo

Me faz flutuar nas nuvens que só tu conhece
Me leva onde só tu podes
Me faz sentir como só tu me faz sentir

Deixa que o aroma dessa brisa nos aconchega 
Faz dessa distância a saudade
Faz dessa saudade a razão do que somos

Me faz sentir que sou tua
Entregas me a ti que eu cuido para mim
Me faz sentir que és meu.

Entre lágrimas e gemidos Quero que me faças ser tua
No leito do teu quarto No teu peito quero me entregar a ti
Quero sentir teu aroma e teu desejo.

Sentir teu gemido 
Sentir teu cheiro
Quero ouvir teu grito

Sentir teu desejo
Aguentar a tua fúria
Quero sentir o que não tenho respostas.

Quero ser para ti aquilo que só tu sabes
Quero ser aquilo que acolhe e fases bem
Quero ser aquilo que só para ti é especial.