terça-feira, 11 de março de 2014

Ao namorado



Enquanto o sol beija a janela
o ar húmido do aposento despe a pele morna que sustenta a alma
 
entrose, torce
culta, escuta
volta e… rola

O alarido do corpo expele o líquido que a culpa carrega
O cão que ao lado dorme não respira e nem move
Podiam as cadelas pernas abrissem
que o cheiro não passa pelas veias e nem levado pelo vento
Porque cão que rabo morde, osso não come.

sábado, 8 de março de 2014

Deixa-me



Minha...
Deixa-me amar-te à flor da pele
Deixa-me alimentar desse cheiro que a lavanda banhou
Deixa tua alma morrer aos meus braços,
que o prelúdio da nossa história acabou de começar
Oiça em silêncio esse peito a cristal que construíste - Deixa-me

Deixa-me amar-te assim coisa minha,
nua, quente e fértil
serei o estrume da tua horta
Deixa-me amar-te assim, do suor à espuma
da espuma à toalha - Cálido
Deixa-me Afrodita minha.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Un rêve à Venise



Pernas nuas em minha cama
Imaginei a sublime da vizinha
Abria-a começava no dedinho
comia-a todos os sonhos.

Perdi os pés
A fúria guiou a praia
A tentação assomou à janela

As grossas pernas chamavam-me
Com os olhos à fome
morta em sedução corrompiam-me os nervos
Vadia de lábios aos pingos enferrujou-me a solidão

Dissoluta krika de avental
coxa de torneira
perdição cara

Cabra minha
Coisa nossa
Amuleto deles.

As águas que pariu no veludo rosa
quente jorraram no saco secreto.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

glu-glu



Agarras-me aqui
Bem aqui
Apalpas-me assim
Bem assim

Seguras-me a língua
Empresto-te o paladar
Dou-te a seiva
Embriaga em mim

Pedes-me os pedaços
Dou-te os caroços
Sacias-te em mim
Ando sóbria 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

silêncio



Caída na praia morta
Nua lambe as pálpebras que fecham
Perde-se a visão
Vela a pele
O gado que ao longe muge
Cai na devasta noite aguda,
fechado ao mungi.